PERSPECTIVAS DO TURISMO NOS PARQUES E RESERVAS DE ANGOLA

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PERSPECTIVAS DO TURISMO NOS PARQUES E RESERVAS DE ANGOLA

O nosso projecto na política de gestão dos Parques e Reservas é o de avançar o equilíbrio entre o pleno desfrute do visitante e a protecção do meio natural.

A nossa preocupação é levar para o interior dos Parques e Reservas o mínimo de impacto humano negativo e assim assegurar o melhor desenvolvimento dos ecossistemas.

Temos defendido que as infra-estruturas hoteleiras e outras de apoio ao turismo nos Parques e Reservas devem situar-se fora deles, talvez na sua periferia.

Há um exemplo do que dissemos, embora enferme do defeito de excessiva proximidade da área protegida. É o caso do restaurante Barra do Cuanza na outra margem do rio Cuanza na faixa em que este delimita o Parque. Contudo, logo após este exemplo, teremos outro que aliás não é caso isolado, no seu interior. O Parque, vive o triste dilema entre a permanência de facto enquanto área protegida ou a sua imparável urbanização, que já tem níveis consideráveis, o que dificulta por vezes o trabalho de protecção que se realiza na área.

A movimentação dentro do Parque deve proceder-se seguindo rotas e acompanhando guias para assegurar uma menor perturbação do meio, ao invés da penetração desordenada de pessoas, quantas vezes caçadores, ou simplesmente moradores.

A oportunidade continua aberta e continuamos a convidar os empresários do turismo a juntar-se ao IDF na reabilitação e posterior exploração turística dos Parques e Reservas.

Em toda a actividade nos Parques e Reservas um esforço especial deve ser realizado por forma a incentivar as populações que neles habitam a enquadrarem-se na guarda, a servirem o turismo e a realizar actividades que não atentar a integridade dos ecossistemas, mas que contribuam para a melhoria de condição sócio-económica das populações. É uma forma de integrar as populações na vida das áreas reservadas e torná-las as principais interessadas.

A maior parte das áreas protegidas sofreu o impacto da guerra e em alguns casos é quase verdade que se tratam já de áreas desprotegidas.

Assim sendo, com a paz , em muitos casos devemos começar por reflectir bem se importa abri-las de imediato ao turismo ou proceder a trabalhos na seu ordenamento, delimitações e recuperação ou ainda terminar o seu estatuto de áreas protegidas.

Para além dos Parques que referimos, existe um conjunto de espaços em todas as províncias do nosso país, que pelo seu valor estético. Costuma aceitar-se a proposta de alguém que os chamou de monumentos naturais. São os casos das pedras de Pungo Andongo, do Alto Hama, do Monte Belo, das Quedas de Kalandula, do Talo Mungongo, da Pedra do Ebo, etc.

Pelo interesse, técnico-científico, económico, cultural e pelo potencial genético guardado nos Parques e Reservas, no fomento do ecoturismo nos Parques e Reservas deve ser defendida uma política de defesa destes valores procurando adequar a natureza dos vários espaços ao tipo de programas de turismo.


NECESSIDADE DE COMBATER O EGOTURISMO

Para que se obtenha a harmonia necessária e para que a floresça o ecoturismo é urgente combatermos no nosso país o já crescente egoturismo.

O egoturismo, ao invés do ecoturismo não tem o objectivo de preservar o ambiente, mas sim o desejo egoísta da satisfação e recreação estreitas que, não respeitando as leis da natureza, os princípios do civismo e da convivência, procura alterar negativamente o meio.

Exemplos tristes de egoturismo acontecem nas praias do país, com particular relevo para as praias de Luanda: nos Parques e Reservas principalmente os da kissama. Iona e Bicuar; nos polígonos florestais como é o caso do da Ilha de Luanda, nos espaços verdes das cidades, etc.

A maior obra que nós devemos obrigar é a educação ambiental, uma arma superior a qualquer forma de policiamento em favor do egoturismo. Tal educação tornará possível que a determinação dos cidadãos comuns proteja o ambiente.

O ambiente tem uma importância tão grande que não pode ser entregue apenas aos peritos, aos políticos dos governos ou não.

É um assunto de todos e uma responsabilidad e de todos. O desafio é de todos porque é o nosso futuro comum que está em causa.

Entende-se ser importante melhorars a legislação, a regulamentação, o quadro jurídico do ambiente em Angola. Mas, mais do que tudo isso é importante que desde a base haja iniciativas para criar um ambiente melhor: seja na limpeza das praias, das bermas das nossas estradas, na construção do jardim da escola, na criação de mais verde, etc., etc.