ANGOLA NO CENÁRIO ECONÔMICO MUNDIAL


Angola é um dos segredos mais bem guardados de África, afirma Paulo de Sousa, sócio principal da KPMG em Angola, em declarações públicas. Afirmou que três anos depois da paz consolidada, Angola surge como uma história de sucesso económico africano, embora este facto não seja notado em alguns sectores.

O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional declararam recentemente que a economia angolana cresceu 14% em 2005 e estimam um crescimento de 25% para o ano de 2006. “Isto torna Angola numa das economias com o crescimento mais rápido do planeta,” afirma Paulo de Sousa.

Apesar de muito desse crescimento derivar da indústria petrolífera, não há dúvidas que múltiplos sectores da economia angolana estão também a ter um crescimento espantoso, incluindo a construção civil, portos, bancos, serviços, comunicações, distribuição, retalho, hospitalidade, tecnologia de informação, serviços de petróleo, agricultura e exploração mineira de diamantes. Angola está também a desenvolver a indústria do turismo.

No sector petrolífero, por exemplo, o volume de produção é de 1,2 milhões de barris por dia, devendo aumentar para 2 milhões de barris por dia em 2007/2008. O sucesso contínuo de Angola na identificação e produção de hidrocarbonetos foi evidente no 18º Congresso Mundial de Petróleo, realizado recentemente em Joanesburgo. Angola foi um dos principais patrocinadores e organizadores.

Na indústria diamantífera, 15 novas concessões de exploração foram recentemente anunciadas pela Endiama, empresa nacional de diamantes. A maior fábrica de lapidação de diamantes foi inaugurada este mês de Novembro em Luanda, capital de Angola. A fábrica tem capacidade para gerar anualmente 240 milhões de dólares na lapidação de diamantes.

A imagem de Luanda está a mudar de forma radical. Muitos edifícios novos estão a ser construídos, principalmente no centro de comércio de Luanda, onde as empresas do sector petrolífero e financeiro estão a instalar os escritórios. Muitos hotéis novos, de duas a cinco estrelas, estão também a ser construídos, assim como um centro de conferências internacional que deve ser concluído no próximo ano de 2006.

No sul de Luanda (Luanda Sul), vastos terrenos que até recentemente eram zonas sem qualquer desenvolvimento têm sido utilizados no desenvolvimento de propriedades, principalmente em projectos de casas de habitação, centros comerciais e desenvolvimentos industriais.

“Luanda Sul representa uma das áreas com o crescimento urbano mais rápido de África. Só é possível compreender a magnitude deste desenvolvimento vendo-o de avião,” afirma Paulo de Sousa. A reabilitação aguardada das estradas e dos caminhos-de-ferro do país começou a sério agora, em grande parte como consequência do empréstimo de 2 biliões de dólares do governo chinês. Os chineses e os negócios chineses estão a tornar-se cada vez mais visíveis em Angola.

O importante para estes projectos é a reabilitação da rede ferroviária de Benguela e as suas 48 pontes que eram utilizadas para exportar minerais da República Democrática do Congo nos anos 70. Angola está a atrair um maior investimento estrangeiro nos sectores do petróleo e dos diamantes, afirma a KPMG. A Agência Nacional de Investimento Angolano afirmou recentemente que foram aprovadas 123 propostas novas de investimento avaliadas em USD 180 milhões para o primeiro semestre de 2006.

A maioria dos investimentos é de Portugal, África do Sul e China. No último ano foram aprovados cerca de 200 projectos. Nos últimos dois anos, a rede de bancos comerciais em Angola tem crescido de forma significativa, particularmente com a abertura do Novo Banco e do Banco Internacional de Crédito, a aquisição de acções do BCA pelo banco sul-africano Absa e o Millennium Angola. “Muitas outras instituições financeiras internacionais estão a preparar-se para entrar no mercado angolano,” afirma Luís Folhadela, gestor sénior no departamento financeiro da KPMG em Angola.

Várias empresas angolanas estão a preparar-se para serem incluídas nas bolsas de valores internacionais, como por exemplo Joanesburgo, Vancouver e Londres. Os planos para criar uma bolsa de valores em Luanda já estão em fase avançada.

No sector social, a maior ênfase é a reintegração de soldados desmobilizados das Forças Armadas Angolanas e do grupo rebelde Unita.

O Instituto Angolano de Reintegração Social dos ex-Militares (Irsm) já implementou projectos que beneficiaram directamente 40.000 ex-soldados e esperam duplicar o número de beneficiários até ao fim do ano.

“Contrariamente à imagem que persiste a nível internacional, a guerra em Angola acabou há três anos e todas as pessoas estão tão ocupadas em ‘dividir’ os benefícios da paz que nem pensam na guerra,” afirma Luís Fernandes, director de projecto da unidade de trabalho da KPMG no Irsem, como parte do projecto de reintegração.

Já começou a construção de um novo aeroporto internacional em Luanda e está a ser planeada uma nova estrada à volta da cidade. “Angola está no caminho certo para se transformar num dos mais significativos motores económicos do continente africano,” afirma Paulo de Sousa.


Business Day, John Kaninda

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