ANGOLA DESATIVA MAIS DE 3 MIL MINAS EM 2008

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Angola é o terceiro país mais minado, depois do Afeganistão e do Camboja, segundo a Landmine Monitor, ligada à campanha antiminas mundial.

A guerra em Angola pode já ter acabado há sete anos, mas as suas sementes continuam plantadas em grande parte do país. Em 2008, as autoridades conseguiram colher mais de três mil dessas sementes: 3128 minas antipessoal e 197 minas antitanque foram desactivadas e destruídas, além de 262 445 engenhos explosivos que não tinham detonado. No total, foram limpos 316 km2, num país com uma área de 1 246 700 km2, segundo o relatório da Comissão Executiva de Desminagem, a que a agência Angop teve acesso.

"Fruto do trabalho de desminagem, actualmente regista-se a livre circulação de pessoas e bens em toda a extensão do país e muitos empresário já investem no sector agrícola", disse o líder do grupo operativo da comissão. O general Paulo Sousa dos Santos lembrou que uma das prioridades tem sido a remoção de engenhos explosivos nas vias que podem ajudar ao desenvolvimento económico de Angola, como as linhas-férreas e os eixos rodoviários - em 2008, foram desminados 2491 km de estradas e duas pontes.

Outra prioridade da comissão são as regiões de maior concentra&cc
edil;ão de população. O último estudo sobre o impacto das minas em Angola, divulgado em 2008 mas terminado em Junho de 2007, concluiu que cerca de 2,4 milhões de pessoas, isto é, 17% da população, vivem em comunidades afectadas. O levantamento apontava para a existência de 1304 km2 de terras contaminadas com minas pessoais, havendo 3393 áreas suspeitas em 1988 localidades.

Contudo, segundo o general Sousa dos Santos, neste momento o mais importante não é quantificar o número de minas que ainda existe no país, mas haver a vontade de trabalhar "na limpeza" de todo o território angolano. De acordo com a Landmine Monitor, uma organização ligada à campanha antiminas mundial, Angola é o terceiro país com mais minas, depois do Afeganistão e do Camboja.

Os trabalhos de limpeza de 2008, de acordo com a Angop, estiveram a cargo de 3608 especialistas. As Forças Armadas, o Gabinete de Reconstrução Nacional, o Instituto Nacional de Desminagem e a Polícia de Guarda Fronteira têm no terreno 50 brigadas, duas das quais mecanizadas, para proceder à desminagem.

Apesar de todo o trabalho desenvolvido, 16 pessoas morreram na explosão de 20 minas antipessoal, nove antitanque e seis engenhos explosivos que estavam por detonar, só no ano passado. Outras 38 pessoas - na sua maioria civis - ficaram feridos. Segundo números das Nações Unidas, entre 2006 e 2008 foram registadas 106 mortes por causa de acidentes com minas e outros engenhos, além de 250 pessoas terem ficado feridas.

DN Globo