MOÇAMBIQUE - GEOGRAFIA E HISTÓRIA DE MOÇAMBIQUE


GEOGRAFIA – Área: 799.380 km². Hora local: +5h. Clima: tropical. Capital: Maputo. Cidades: Maputo (1.300.000) (aglomeração urbana), Matola Rio (445.000), Beira (415.000), Nampula (330.000) (2011).

POPULAÇÃO – 21 milhões (2011); nacionalidade: moçambicana; composição: macuas 46,1%, tsongas, malavis e chonas 53%, outros 0,9% (1996). Idiomas: português (oficial), línguas regionais (principais: ronga, changã, muchope). Religião: crenças tradicionais 50,4%, cristianismo 38,4% (católicos 15,8%, protestantes 8,9%, outros 13,8%), islamismo 10,5%, outras 0,7%, ateísmo 0,1%. Moeda: metical.

RELAÇÕES EXTERIORES – Organizações: Banco Mundial, Comunidade Britânica, FMI, OMC, ONU, SADC, UA. Embaixada: Tel. (61) 248-4222, fax (61) 248-3917 – Brasília (DF); e-mail: embamoc-bsb@uol.com.br.

GOVERNO – República com forma mista de governo. Div. administrativa: 11 províncias subdivididas em municipalidades. Partidos: Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), Resistência Nacional Moçambicana (Renamo). Legislativo: unicameral – Assembléia da República, com 250 membros. Constituição: 1990.

Maputo

Ex-colônia portuguesa, Moçambique situa-se no sudeste da África. Embora o português seja o idioma oficial, a língua é falada por apenas 40% da população – majoritariamente negra e formada por vários grupos étnicos. Os quase 20 anos de guerra civil, encerrada em 1992, deixam 1 milhão de mortos e graves conseqüências sociais. A taxa de analfabetismo fica acima de 50%. Com uma das menores rendas per capita no mundo, o país depende de ajuda externa e tenta reconstruir a economia, que tem bom potencial na pesca, na extração de gás, na mineração e exploração de madeira.

HISTÓRIA
A região do atual Moçambique é habitada desde pelo menos o período paleolítico, e o contato com outras civilizações remonta à presença árabe, desde o século XI da Era Cristã. Vasco da Gama, navegador português, chega a essa porção da costa africana em 1498. O Império Português toma posse da região no século XVI, e seu domínio se estende por quase 500 anos. Em 1951, Moçambique torna-se uma Província Portuguesa do Ultramar. O movimento nacionalista surge na década de 1950 e a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) é criada em 1962, sob a liderança de Eduardo Mondlane. A Frelimo inicia guerrilha contra os portugueses em 1964. Assassinado em 1969, Mondlane é sucedido por Samora Machel. Moçambique obtém independência em 1975, sob o governo marxista da Frelimo, chefiado por Machel.

Guerra civil – Entra em cena na década de 1970 a guerrilha da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), grupo anticomunista apoiado pelo governo da África do Sul. Nos anos 1980, a seca e a guerra civil provocam fome em larga escala. Machel morre em 1986 e é sucedido por Joaquim Alberto Chissano, que reintroduz a propriedade privada da terra.

Pacificação – Em 1990, a Frelimo abandona a referência ao socialismo, institui a economia de mercado, legaliza os partidos e abre negociação com a Renamo. As duas partes assinam acordo de paz em 1992. A miséria é generalizada e há minas terrestres espalhadas pelo país. Em 1994 são realizadas eleições presidenciais e legislativas. Chissano é eleito presidente com pouco mais de 50% dos votos. Nas eleições de 1999, é reeleito.

Em 2002, Chissano anuncia que não concorrerá a um novo mandato presidencial. Em novembro, seu filho Nhyimpine Chissano é apontado como mandante do assassinato do jornalista Carlos Cardoso, ocorrido dois anos antes, por acusados pelo crime. Em 2003, os réus são condenados a até 28 anos de prisão, mas o envolvimento de Nhyimpine não é provado.

Novo presidente – Em fevereiro de 2004, Chissano afasta o primeiro-ministro, Pascoal Macombi, no cargo havia dez anos, e o substitui pela ministra da Fazenda, Luisa Diogo. Em dezembro, o candidato da Frelimo, Armando Guebuza, vence as eleições presidenciais com 63% dos votos, derrotando Afonso Dhlakhama, da Renamo, com 31%, que denuncia uma "fraude maciça". Nas legislativas, a Frelimo fica com 160 cadeiras, contra 90 da Renamo.

Minas dificultam reconstrução
A guerra civil em Moçambique deixa como terrível herança cerca de 2 milhões de minas terrestres espalhadas no território. Em 1992 apurou-se que 123 das 128 municipalidades então existentes estavam minadas. De difícil detecção – pois podem ser de metal, plástico ou madeira –, os artefatos tornam perigoso o ato de andar em lavouras, imediações de fontes de água, praias e rodovias e obstruem a reconstrução econômica. O custo da limpeza é alto: uma mina pode ser comprada por 3 dólares, mas sua retirada exige no mínimo 300 dólares (equipamento e pessoal treinado). Hoje, Moçambique recebe ajuda para fazer a limpeza e assina tratado internacional antiminas. A África é o continente mais afetado pelo problema. Estima-se que haja 30 milhões de minas espalhadas por 26 países africanos. Os mais atingidos são Angola, Moçambique, Somália, Chade e Sudão.